Começou outro mês.
Não quero encará-lo como uma corrida contra o tempo. O ano não vai terminar sem cumprir o que prometeu. Na verdade já cumpriu. Já é tempo de colheita.
O mês começou diferente. Como se eu tivesse decidido que seria assim, mesmo que a ação veio tardiamente à decisão.
Saí de São Paulo. Só por hoje, só por uma semana. Vim respirar - volto já.
No meio do caminho - parada obrigatória na bela Curitiba, seria apenas uma reunião. Não, é mais que uma reunião. Com uma pessoa que nao é daquelas fáceis de compreender. Muito menos fáceis de esquecer. Fala 'Natinha…'
E entre decisões, números, planos, surge um: e você? E eu? Falo 2 ou 3 frases, e sou sabiamente interrompida.
'Minha filha… tem coisas que só aprendemos com a experiência. E infelizmente não tem outra forma de se adquirir, que não seja vivendo, aprendendo e errando.
As coisas belas são difíceis. E justamente por não serem fáceis, é que são raras
(…)
Você não evoluiu nesse mundo. Evolui num outro… onde você tinha relacionamentos nos quais aprendeu a conviver, paisagens que era acostumada a olhar, desafios que era acostumada a enfrentar. Você não evoluiu num mundo de conquistas fáceis. Aí, é preciso aprender a evoluir nesse também. Você aprende, minha filha.'
Não sei exatamente se saio daqui com a missão de um planejamento para um novo empreendimento. Sinto que saio daqui com a missão de uma alma que tem sede de viver (mesmo nos dias que falta fé). Mesmo que fale que pensa nisso para manter o cérebro em atividade, pois não sabe o quanto restará dele. Tem mais, eu sei que tem.
Nao é só ajuda-lo a realizar sonhos, como numa troca onde ele me ajuda a compreender os meus. É não deixa-lo parar de sonhar. É não deixar que se conquiste com as realizações alheias, ou acomodação alheia… tomando seu coquetel de remédios, saladas, sopas e tortas (com um pouquinho de bacon pra dar sabor… só um pouquinho - explica a devota de Nossa Senhora de Guadalupe).
Eis que aí, encontro realização profissional. Vejo a missão através do meu trabalho. E no meu trabalho, exerço o que eu sou - evoluída ou não, mas aprendendo.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Quanto tempo dura um ano?
Quando você se põe em movimento, a providência se põe em movimento.
Ouvi essa frase num TED e me impressionei com o sentido que ela fez naquele momento e se faz cada vez que me coloco a pensar sobre o sentido de determinadas coisas.
Há exatamente um ano, estava frio. Um frio como hoje, desses que sabemos que está próximo de zero grau, só não sabemos se para cima ou para baixo - natural nessa época por aqui. Há um ano eu também estava na agência, nesse horário. Há um ano, estudava um projeto que estávamos prestes a lançar dentro de dois dias - o Lixo Eletrônico Guarapuava. Parece que pouca coisa mudou em um ano, afinal, estou na agência, estudando esse projeto, que precisa ser lançado novamente.
Mais ou menos nesse horário, o telefone tocou. Minha irmã falando… a tia Dirce foi, Rê. Sai, deixei o trabalho aberto, sem salvar. Fui correndo para a casa da tia, sabendo que encontraria tios e minha mãe chorando. Vi uma certa calmaria… natural, pois se tratava daquela senhora que preparou todo mundo para isso, e disse antes de ir 'não chorem, estarei feliz'. Quem dera se as pessoas tivessem a oportunidade de entender a vida como ela entendeu. E ter a oportunidade de dizer a cada um dos que amava o sentido disso tudo…
O carro da funerária indo embora, e eu falei: cuidado moço, o senhor leva aí uma santa. Ele olhou para mim, acolhida por um guarda chuva e um abraço, e disse: eu sei, moça. A gente sente quando a pessoa é.
No dia seguinte, após as formalidades sociais e espirituais próprias, pensei em descansar. Lembrei que tinha um arquivo aberto, de uma apresentação a ser finalizada.
Outra noite fria em claro. Qualquer trabalho entenderia ser adiado. Não esse. Esse precisava ser terminado. Esse precisava ser apresentado. Na manhã seguinte, os trainees estavam com vários computadores e televisores antigos espalhados pela sala da associação comercial. Esperando empresários, professores, secretários municipais, todos convocados a ouvir sobre um assunto proposto por um grupo de jovens, que segundo alguns pontuaram 'não sabiam o tamanho do problema que iriam causar'.
O problema a foi que arrecadamos material suficiente para destino por 1 ano - para oficinas de robótica em escolas municipais, projeto com turmas de ciência de computação, engenharia elétrica, cursos técnicos - computadores recuperados e doados para projeto de inclusão digital e APAE.
Há um ano, eram 6 publicitários Renata, Elodir, Jean, Paulo, Igor e Talita, coordenando o grupo de futuros comunicadores Andreia, Flavio, Agostin, Lilian, Guilherme, André, Gustavo, Ana Paula, Carla…
Hoje somos publicitários, biólogos, professores, advogados, contadores, cientistas de computação, químicos, ganhamos Silvia, Nathalia, Lucio, Wagner, Carol, Rafaela, Márcio, Rafael, Dagmar, Leandro, Andressa, Fabio, Francisco, Patrícia, João, Adriana, Antonio, Janette, Regina, Monica, Marco… Ganhamos um projeto de extensão, ganhamos um galpão, ganhamos ferramentas.
Em um ano, realmente pouca coisa mudou. Principalmente no que se refere em "não sabemos o tamanho do problema que vamos causar".
Um ano dizem que é o período máximo que deve durar um luto.
Pessoalmente, me senti abraçada por cada pessoa que abraçou a causa nesse período.








Ouvi essa frase num TED e me impressionei com o sentido que ela fez naquele momento e se faz cada vez que me coloco a pensar sobre o sentido de determinadas coisas.
Há exatamente um ano, estava frio. Um frio como hoje, desses que sabemos que está próximo de zero grau, só não sabemos se para cima ou para baixo - natural nessa época por aqui. Há um ano eu também estava na agência, nesse horário. Há um ano, estudava um projeto que estávamos prestes a lançar dentro de dois dias - o Lixo Eletrônico Guarapuava. Parece que pouca coisa mudou em um ano, afinal, estou na agência, estudando esse projeto, que precisa ser lançado novamente.
Mais ou menos nesse horário, o telefone tocou. Minha irmã falando… a tia Dirce foi, Rê. Sai, deixei o trabalho aberto, sem salvar. Fui correndo para a casa da tia, sabendo que encontraria tios e minha mãe chorando. Vi uma certa calmaria… natural, pois se tratava daquela senhora que preparou todo mundo para isso, e disse antes de ir 'não chorem, estarei feliz'. Quem dera se as pessoas tivessem a oportunidade de entender a vida como ela entendeu. E ter a oportunidade de dizer a cada um dos que amava o sentido disso tudo…
O carro da funerária indo embora, e eu falei: cuidado moço, o senhor leva aí uma santa. Ele olhou para mim, acolhida por um guarda chuva e um abraço, e disse: eu sei, moça. A gente sente quando a pessoa é.
No dia seguinte, após as formalidades sociais e espirituais próprias, pensei em descansar. Lembrei que tinha um arquivo aberto, de uma apresentação a ser finalizada.
Outra noite fria em claro. Qualquer trabalho entenderia ser adiado. Não esse. Esse precisava ser terminado. Esse precisava ser apresentado. Na manhã seguinte, os trainees estavam com vários computadores e televisores antigos espalhados pela sala da associação comercial. Esperando empresários, professores, secretários municipais, todos convocados a ouvir sobre um assunto proposto por um grupo de jovens, que segundo alguns pontuaram 'não sabiam o tamanho do problema que iriam causar'.
O problema a foi que arrecadamos material suficiente para destino por 1 ano - para oficinas de robótica em escolas municipais, projeto com turmas de ciência de computação, engenharia elétrica, cursos técnicos - computadores recuperados e doados para projeto de inclusão digital e APAE.
Há um ano, eram 6 publicitários Renata, Elodir, Jean, Paulo, Igor e Talita, coordenando o grupo de futuros comunicadores Andreia, Flavio, Agostin, Lilian, Guilherme, André, Gustavo, Ana Paula, Carla…
Hoje somos publicitários, biólogos, professores, advogados, contadores, cientistas de computação, químicos, ganhamos Silvia, Nathalia, Lucio, Wagner, Carol, Rafaela, Márcio, Rafael, Dagmar, Leandro, Andressa, Fabio, Francisco, Patrícia, João, Adriana, Antonio, Janette, Regina, Monica, Marco… Ganhamos um projeto de extensão, ganhamos um galpão, ganhamos ferramentas.
Em um ano, realmente pouca coisa mudou. Principalmente no que se refere em "não sabemos o tamanho do problema que vamos causar".
Um ano dizem que é o período máximo que deve durar um luto.
Pessoalmente, me senti abraçada por cada pessoa que abraçou a causa nesse período.



quarta-feira, 27 de abril de 2011
A Verdadeira Alma do Negócio

"Alcança aquele negócio ali"
"Viu aquele negócio lá?"
"Tô com um negócio aqui para resolver".
Tratando negócios como coisas, muitos não percebem a dimensão que um negócio pode ter. Ou acabam por banalizar o negócio em si.
Essa palavra, que numa desmembração pode ser uma soma de 'negação' e 'ócio', na verdade tem origem do latim NEC OTIUM, que quer dizer Ação Sem Descanso.
É por isso que o negócio cansa tanto. Exige ação constante, incessante. Mas e nós, como ficamos diante disso? Em busca de equilíbrio entre crescimento profissional e qualidade de vida… como então pensar no tal negócio sem essa sensação de que nunca agiremos o suficiente, sem descanso?
Aí entra, meu amigo, a alma do negócio. E ironicamente (fica entre nós), não é a propaganda. Não, a propaganda não é a alma negócio! É talvez a estética do negócio, a reputação, a imagem que se quer passar.
A alma do negócio é a rede. Essa mesma, tão falada diante do cenário de conexão full time. Sem rede não há conexão. Mas a rede sempre existiu, a rede social não precisou de internet para se mostrar importante. Desde que existe negócio, existe rede. Desde que existe relacionamentos humanos, a rede existe. Hoje, de forma potencializada pela internet, codificada, entendida.
E se a rede é a alma do negócio, o agente do negócio em si pode descansar.
Enquanto encerro o expediente, a rede trabalha pelo negócio. Pela web a cada curtir ou RT de um negócio. Num bar, com aqueles conhecidos, comumente chamados de 'stakeholders', num papo "olha.. conheço alguém que tem um negócio que pode te ajudar nisso"… e por aí vai.
Portanto, a dica para quem quer descansar e deixar o negócio agir: Cuide da sua rede como quem cuida da própria alma.
sábado, 16 de abril de 2011
Em que mundo você vive?

Em que mundo você vive?
Essa pergunta veio de um amigo durante uma discussão em grupo.
Não lembro ao certo qual a discussão, mas lembro que essa pergunta me marcou.
Lembro também essa pergunta veio num momento que eu falava sobre pessoas e empresas que conheço que fazem coisas bacanas, sem ter o lucro financeiro como principal objetivo. Acho que devia ser uma discussão sobre ' todo mundo só pensa em dinheiro' .
Pensamos, obviamente e sem necessidades de explicação para tal.
Nem é pecado, nem crime buscar o lucro.
Mas perguntas como essa me preocupam, por saber quantas pessoas vivem em mundos paralelos fechadas a realidades que não se restringem a um grupo de pessoas engajadas, mas uma nova economia. Termos como economia criativa, empreendedorismo social ou voluntariado não aparecem por bonito. É fato e fato crescente e compartilhado. E ironicamente, aquele que não abrir os olhos para ver esse novo mundo, corre sérios riscos de diminuir lucro - causa mór desses tals.
Para VER:
• 83% of US consumers want products, services and retailers to support more causes. (Source: Cone Research & Insights, September 2010)
• 87% of UK consumers expect companies to consider societal interests equal to business interests. (Source: Edelman, November 2010)
• In 2006, ‘strong financial performance’ was the third most important factor for US consumers in determining corporate reputation. By 2010, financial returns had fallen to the bottom of Edelman’s rankings, while ‘transparent and honest practices’ and ‘company I can trust’ were the two most important. (Source: Edelman Trust Barometer, 2010)
• 80% of US consumers said cause marketing made them likely to switch brands, and 19% were willing to pay more for a pricier brand that participated in a positive social or environmental cause. (Source: Cone, September 2010)
• 78% of Indian, 77% of Chinese and 80% of Brazilian consumers prefer brands that support good causes, compared to 62% of global consumers. (Source: Edelman, November 2010)
• 71% of people “make it a point to buy brands from companies whose values are similar to my own.” (Source: Young & Rubicam, August 2010)
• 49% of US adults share content online at least once a week. (Source: CMB, September 2010)
• On Facebook alone, more than 30 billion pieces of content (web links, news stories, blog posts, notes, photo albums) are shared each month. (Facebook, October 2010)
• 40% of Facebook users who become fans do so to receive discounts and promotions. (Source: ExactTarget, August 2010)
Fonte: Trendwatching
domingo, 13 de março de 2011
Será de parto essa dor? Ou simplesmente agonia?

Frequentemente tenho recebido convites para falar sobre um projeto chamado Lixo Eletrônico Guarapuava, em universidades, conferências e grupos de interesse. Costumo iniciar minha fala, dizendo não sou ambientalista; não sou da área tecnológica; tampouco especialista no assunto; não represento nenhum partido político; nem sou de alguma ONG. Tudo isso, precedido de um… sou uma publicitária. Para gostos e desgostos de quem estiver ouvindo.
Para gostos e desgostos de você amigo, que esta dedicando seu tempo a essa leitura, esse não é também um post sobre o projeto.
É um desabafo.
Após um longo período de ' crise existencial profissional', por perceber que estava envolvida numa profissão que estimula um dos grandes males da atualidade (o consumo desenfreado, motivado e induzido sim, pela publicidade), percebi que dependia somente de mim - e logicamente, de companheiros de angústias e jornada - mudar essa situação. Pelo menos a minha própria situação. Como aquela auto-enganação que precisamos as vezes para ficar com a consciência mais limpa.
Percebi também que naquele momento, algo novo na comunicação estava começando. As pessoas iniciando uma mobilização de práticas, influenciando em quais empresas comprar, e que as que tinham melhores práticas sociais e ambientais, poderiam ser decisivas na escolha.
E percebi que muitas dessas empresas, o faziam simplesmente para continuar na preferência, e estimular assim, ainda mais o consumo com aquele cliente feliz, de consciência tranqüila. Ciclos de auto-enganadores.
Como queremos pregar sustentabiliade, se nossas práticas pessoais não o são? Somos seres (desculpem-me os que não se enquadram aqui, mas falo da maioria), que não buscam o equilíbrio pessoal. Sustentabilidade pessoal é o primeiro passo. Se nos auto destruímos, a cada pratica errada que sabemos que afeta nossa vida pessoal… como pensar isso num âmbito mais amplo?
E continuamos…
E ficamos perplexos e indignados com o governo, que nada faz, sabendo que mês de janeiro haverá enchentes e deslizamentos. Não fazem. E não fazemos… porque não só em janeiro, tragédias acontecem.
E tragédias acontecem em locais onde se tenta prevenir também.
E ficamos perplexos, choramos ao ver imagens de crianças soterradas, cachorros sem dono, famílias inteiras embaixo de lama…
Como querer a harmonia da natureza se corremos em busca de nossa própria destruição?
Nos indignamos quando vemos motoristas atropelando ciclistas que lutam por um mundo melhor?
Pois amigos, estamos todos motorizados, arrastando milhares de vidas através de nossos egoísmos e comodismo.
Estar junto com outros jovens na idealização de um projeto que busca fazer algo não serve nem ao menos para amenizar um pouco a minha consciência de estar fazendo algo.
Mas me serve de alicerce que me leva a ver que num mundo onde reclamamos que ninguém faz nada, há um poder de fazer algo em potencial. E isso pode gritar aos ouvidos de muitos, sussurrar ao ouvido de outros.
E motivar… e se não e o suficiente para nos fazer pedalar, que sirva para pisar no freio quando vermos ciclistas em nossa frente.
Nossa mãe terra, Senhor, geme de dor noite e dia. Será de parto essa dor? Ou simplesmente agonia?
Vai depender só de nós. Vai depender só de nós.
Deus tenha piedade de nós.


sábado, 12 de março de 2011
A vez do TEDxCuritiba

Um TED não entra na sua vida por acaso.
Conheci o TED em 2007, através de um TED Talk, do Jaime Lerner 'Sing a song os sustainable cities' http://www.ted.com/talks/jaime_lerner_sings_of_the_city.html
Até o momento que fiquei sabendo que existia um certo X após certos TED. E que um certo X ainda era precedido por um São Paulo. Foi o primeiro TEDx do país, em 2009. E o segundo, o TEDxSudeste - maio de 2010, o que tive a honra de ser selecionada para fazer parte da platéia. Mas só participando, fui entender que o TED não era um evento para espalhar boas idéias. Era uma experiência, vivência. Compreendi o espírito engajado dos organizadores, palestrantes, que inspiraram a platéia. Me inspiraram não só com o sentimento de admiração pelo que lá ouvi e vi, mas pelo sentimento de levar isso adiante - http://renatanizer.blogspot.com/2010/05/tedxsudeste-inspire-se.html Foi assim, que entrei na organização do primeiro TEDx a ser realizado no Sul, o TEDxPortoAlegre - http://tedxportoalegre.com.br/2010/. Uma outra experiência fantástica, percebendo o que é organizar um evento de forma colaborativa, e perceber a capacidade que boas idéias tem de influenciar milhares de pessoas. Pessoas como a Dani, a Fernanda e a Ana, que após participar do TEDxPortoAlegre, motivam-se a levar essa idéia para Curitiba. Poder fazer parte de mais uma equipe como essa, é não só poder organizar um grande evento, mas ter também um pouco da vida transformada com cada idéia partilhada durante o processo, durante o dia de palestras, e com as transformações que ocorrem depois.
Nos vemos dia 16 de julho, na capital paranaense, amigos.
Ver pessoas que transformam cidades.
www.tedxcuritiba.com
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Le scaphandre et le papillon - Aprendizados de um Ano
O balanço da vida, coisas boas a se agradecer, ruins a se mudar, são constantes na minha vida. Por isso, não é novidade para os últimos dias do ano.
Mas essa época de parar, mesmo que por pouco tempo, mesmo que dentro de casa, me proporciona encontros mais profundos. Com acontecimentos, com pessoas, comigo mesma.
Minha meta era escrever um post de fim de ano chamado 'o que aprendi em 2010'. Já havia uma lista. Talvez, foi o ano em que mais aprendi. Talvez, por isso, considere que foi o meu melhor ano. Mas escrever item a item o que aprendi, nada mais seria que uma retrospectiva de acontecimentos, que não foram poucos nem pouco intensos. Havia já uma lista de todas as pessoas que me inspiraram esse ano, todas mesmo, até aquelas que pensam que não fazem parte dessa lista.
Mas após um encontro, despretensioso, com o Escafandro e a Borboleta*, não mudei o post somente. Mudei algumas percepções sobre o que eu realmente aprendi, o que realmente me inspirou.
Conheci o seu Arnaldo, um senhor que não foi editor da Elle como Jean-Dominique, mas teve muito em comum com o francês. Arnaldo, me ensinou numa tarde, tudo o que eu deveria aprender. Seu Arnaldo tinha câncer na coluna e um recém AVC, não podia andar, seus movimentos da face eram limitadíssimos. Mas seu Arnaldo falava. E, olhando nos meus olhos, disse: "minha filha… eu tenho um amor profundo pela vida. Do meu quarto, eu vejo quando é sol, e peço para a Maria me levar lá fora. Peço um espelho e olho o meu rosto. Sei que não é aquela beleza, minha filha… mas fico maravilhado com o poder que um espelho tem."
Aí pegou um espelho e me mostrou os exercícios que tinha aprendido. Já movia os músculos da face.
E eu ali, paralisada, diante de tamanha demonstração de… de… sem palavras.
*da mesma forma que fiquei sem palavras quando estava também, ao lado da cama da dona Dirce de Santa Maria. Outra professora, inspiração de 2010, aliás, da vida toda.
Já não podia se mexer também… e me disse: "Renatinha, minha neta. Dói tudo, dói para me mexer, dói para comer, até para respirar. Mas quem sou eu para reclamar… Ele morreu numa cruz… quem sou eu para reclamar?!" E digo mais: "Sou a mulher mais feliz do mundo. Tá.. não posso afirmar que sou a mais feliz porque não conheço o coração das outras pessoas… mas o meu eu sinto, então, sou capaz de dizer que sou a mais feliz do mundo. Tenho o amor de vocês."
Jean-Dominique Bauby deixou esse mundo em 1997, mas conheci ele numa tarde de férias, dia 29 de dezembro de 2010. Dirce eu conheci a vida toda, deixou o mundo em 2010. Mesmo ano que seu Arnaldo deixou, uma pessoa que só pude visitar 2 vezes.
Sem desmerecer todas as pessoas, e todos os grandes presentes que a vida me deu esse ano, eu resumo meus aprendizados nessas 3 lições.
Meus votos para o próximo ano, próximos dias, para hoje… É entender desde já, na minha juventude, minha saúde, com meus amigos por perto, pessoas que me amam e eu amo (perto e longe), com minha família, no meu trabalho, festas, estudos, meu carro ou bicicleta nova… é entender o que fica. O que vale. Minha meta é lembrar disso todos os dias quando eu acordar.
Muitas borboletas, de todas as cores.
* http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Escafandro_e_a_Borboleta_%28filme%29
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